21 Outubro, 2009

→ Pacote de Fim de Semana em Parati (3 dias e 2 noites)

Parati, RJ

A cidade, fundada no final do século XVI, foi um importante ponto comercial nos Ciclos do Ouro e da Cana do Brasil Colônia, e guarda casarões bem preservados, igrejas e até um forte, graças ao tombamento pelo Patrimônio Histórico. De onde saíam as caravelas repletas de ouro, hoje saem os barcos que levam os turistas para as mais de 50 ilhas e belíssimas praias da região. Há também um intenso comércio local de artesanato e obras de arte.

Período: 18/12/09 até 20/12/09

1º. Dia: Saída do Rio de Janeiro (Centro) à noite em confortável ônibus com destino à Parati. Chegada e hospedagem.

2º. Dia: Café da manhã. Passeio de barco de aproximadamente 5 horas pela baía de Parati. Paradas em 2 ilhas e 2 belíssimas praias com aproximadamente 40 minutos para apreciação em cada parada. Em uma destas paradas será possível fazer mergulho livre com máscara e snorkel e almoço (opcional). No retorno ao cais, city tour com guia local pelo Centro Histórico de Parati. Retorno ao hotel ao fim da tarde. Traslado de ida e volta ao Centro Histórico à noite, para passeio livre e jantar, com horário de retorno previamente marcado (atividade opcional).

3º. Dia: Café da manhã. Manhã livre (para sugestões de passeios opcionais, consulte no ato da reserva). Pela manhã, traslado de ida e volta ao Centro Histórico para passeios livres e almoço (atividade opcional). No início da tarde, retorno ao Rio de Janeiro (Centro). Chegada e desembarque no mesmo local de partida.

Importante: Tanto a ordem quanto a disponibilidade dos passeios estão sujeitas a alterações sem prévio aviso, em função de variações climáticas ou operacionais.

PROMOÇÃO!!!

ATENÇÃO: Quem indicar mais passageiros para a viagem terá o valor total do pacote reembolsado! Peça para o cliente, no ato da reserva, indicar seu nome! Divulguem e concorram ao pacote inteiramente grátis!
***Caso haja empate, o valor de um pacote será dividido entre os ganhadores***

PREÇO DO PACOTE:

R$ 195,00 (por pessoa, em acomodação dupla ou tripla)

R$ 280,00 (por pessoa, em acomodação single)

R$ 115,00 (para crianças menores que 5 anos)

Condições de pagamento: 50% no ato da reserva + 50% até o embarque (dia 18/12/09).
Pagamento em dinheiro ou depósito bancário (enviar comprovante).
Em caso de desistência, o valor já pago não será reembolsado.

RESERVAS:
Por e-mail: asseteterras@gmail.com
→ Daniel Lima
Por telefone: 21-8627-6710

DETALHES DO PACOTE

O que está incluso no pacote está discriminado e detalhado a seguir:

→ Transporte: Transporte de ida e volta e traslados em Parati realizados em ônibus convencional de turismo, com poltronas confortáveis, ar condicionado, toalete (WC), som, TV/DVD e geladeira.

Saída do Rio de Janeiro (Centro): 20h00 (com tolerância de 15 minutos)
Retorno ao Rio de Janeiro (Centro): 14h00 (horário previsto de chegada: aproximadamente 18h00)

→ Hospedagem: 2 noites de hospedagem e 2 cafés-da-manhã na Pousada Paradiso.

http://www.pousadaparadiso.com.br

→ Atividades: City tour pelo Centro Histórico com guia local e passeio de escuna pela Baía de Parati.

Detalhes do passeio de barco:
Saída do cais do porto às 10h00 ou 11h00.
Passeio tradicional de aproximadamente 5 horas de duração, com diferentes roteiros incluindo quatro paradas em duas praias e duas ilhas, de aproximadamente 40 minutos em cada, sendo uma delas para almoço opcional (la carte) a bordo. Nestas paradas é possível fazer mergulho livre com máscara e snorkel, em água cristalina. Dentro destas 4 paradas, temos uma obrigatória, a ilha Comprida, que é conhecida como um aquário natural, devido à quantidade de peixes comumente rodeia o barco e as pessoas que mergulham no mar. Todas as embarcações oferecem conforto e segurança, além de contar com um bom restaurante, com opções de peixe ou frango, para que o seu passeio se torne ainda mais agradável. As embarcações também oferecem bote de apoio, espaguete de flutuação para uso nas paradas, banheiro à bordo e ducha de água doce. O passeio inclui máscara e snorkel, frutas e cafezinho (após o almoço).

Detalhes do city tour pelo Centro Histórico:
Após o passeio de barco, com guia turístico local e duração de aproximadamente 1 hora e meia.

→ OBSERVAÇÕES:

Itens não inclusos: guias turísticos (exceto no city tour), refeições (exceto café-da-manhã), seguros, e outras atividades não mencionadas.

Importante!
→ Tanto a ordem quanto a disponibilidade dos passeios estão sujeitas a alterações sem prévio aviso, em função de variações climáticas ou operacionais.

→ Não será permitida o transporte e o consumo de bebidas alcoólicas dentro do ônibus.

22 Janeiro, 2009

O bule de chá chinês



"Muitos ortodoxos falam como se fosse obrigação dos céticos contraprovar dogmas consagrados, e não dos dogmáticos comprová-los. Isso é, claro, um equívoco. Se eu sugerisse que entre a Terra e Marte há um bule de chá chinês rodando em torno do sol numa órbita elíptica, ninguém seria capaz de contraprovar minha afirmação, desde que eu tenha tido o cuidado de acrescentar que o bule é pequeno demais para revelado até pelos nossos telescópios mais potentes. Mas, se eu prosseguisse dizendo que, como minha afirmação não pode ser contraprovada, é uma presunção intolerável por parte da razão humana dúvidar dela, imediatamente achariam que estou falando maluquices. Se, porém, a existência do bule tivesse sido declarada em livros antigos, ensinada como a verdade sagrada todos os domingos instilada na cabeça das crianças na escola, a hesitação em acreditar em sua existência se tornaria um traço de excentricidade e garantiria ao questionador o atendimento por psiquiatras numa era esclarecida ou por um inquisidor em eras anteriores."

BERTRAND RUSSELL

30 Dezembro, 2008

Missão espacial...



Estão abertas as portas ao espaço. Depois da Virgin Galactic, agora a XCOR Aerospace entra para o mercado recém-descoberto e ainda não inaugurado de turismo espacial. E eu aqui, desolado e sonhando com Midgard e seus cantos remotos e exóticos... Como lidarei com isso, tamanha afronta às cinzas dos meus mais remotos sonhos?

O sonho de viajar ao espaço se foi há muitos anos e substituir a infinitude titânica do universo por este planeta tão microscópico nunca foi fácil. Entretanto, dediquei-me a pousar, me sedentarizar e me tornar um reles membro terrestre da Federação. Nem mesmo HAL, ou o próprio Capitão Picard, convenceram-me do contrário, e abandoná-los já me rendeu tristezas e decepções suficientes para ceder ao lado negro da Força. A Terra agora é meu tabuleiro e, como peão, meu objetivo é atravessá-la para ser promovido.

Tenho absoluta certeza de que uma vida humana não é suficiente para me satisfazer e isso não apenas me atormenta, como me causa uma fobia irracional do Cão Cérbero. Entretanto, este planeta tem sido o suficiente para preencher os meus sonhos, minha mente vazia e meus olhos sedentos: Egito, França, China, Austrália, Grécia, África do Sul, Irlanda, México, Antártida, etc... Até agora.

Então chegou a Virgin Galactic com seus vôos orbitais. Assopraram as cinzas dos meus verdadeiros sonhos. Agora, a Lynx, a faísca! Meu sonho se reacendeu. Por apenas 75 mil euros você entra em órbita! Claro, é verdade, deve ser bem mais barato um fumo ou um comprimido de LSD para “entrar em órbita”... Afinal, quem pagaria 75 mil euros (ou mais???)? Ah, sim, só mesmo um milionário...

Não sou milionário, talvez nunca serei (apesar de estar sempre correndo atrás disso...). Mas eu pagaria este preço. E pagaria mais! Muito mais se fosse necessário e se eu algum dia conseguir juntar esta quantia... Talvez quando as pernas não aguentarem mais trabalhar, minha pele estiver derretendo e meu rosto estiver pendurado. Isso se a corja brasiliense me permitir vagabundar (pelo menos!) após os 150 anos... Quem sabe ainda terei forças para vender tudo que tenho e comprar um assento apertadinho na janela do SpaceShipTwo ou da Lynx?

A cada instante, uma viagem especulativa me povoa a mente e decisões difíceis têm de ser tomadas. Por sorte ou azar (e isso não importa!), decidir torná-la realidade não cabe só a mim. É uma decisão conjunta, com minha cara-metade: Lilie, a mais realista, porém também a mais indecisa. Caberá a ela (e reitero: somente a ela!) realizar ou não meu sonho. Afinal, se fosse uma decisão apenas minha, definitivamente será só uma questão de tempo para acenar ao gigante azul com dedos leves sem gravidade...

Até lá, vamos à nossa próxima missão... One ready to beam up!


ENGAGE!

06 Março, 2008

Os assírios


A marcha de Nínive se prolongava a longo do deserto. Agarrados à esperança de que Assur os testava, os homens caminhavam exaustos sob as ordens de Assurbanipal, o cruel rei assírio. Sua obstinação em terminar o trabalho que seu pai, Asaradão, iniciara movia-os em direção à poderosa civilização faraônica. O sol castigava até o mais resistente guerreiro, porém incontáveis desertos ainda teriam de ser atravessados em seu caminho até Menfis.

Assurbanipal possuía três grandes objetivos. O primeiro seria o mais próximo de se realizar e povoava sua mente frequentemente: a concretização do domínio assírio sobre o vale do Nilo. Evocara todas as forças assírias para esta conquista e arrasava povos em seu caminho. Pretendia ainda, apesar de Assur já ter triunfado sobre Marduk há mais de meio século, subjugar seu irmão Chamas-Chum-Uquim e reclamar as terras babilônicas. Por último, voltaria triunfante à Nínive e estabeleceria um império cultural prodigioso que não pudesse ser concebido nem pela intelectualidade criativa do antigo Hamurabi.

Após uma semana de árdua marcha, a caravana militar avistou muros. Uma pequena cidade foi crescendo no horizonte e, movidos pela excitação, os guerreiros pareciam ter incosncientemente acelerado o passo. Assurbanipal se ergueu em sua carruagem de escravos e admirou mais uma futura conquista.

Acamparam ao redor da cidadela e o rei aguardou o retorno de seu mensageiro com notícias. Malasso voltou ao anoitecer, acompanhado de um rebanho generoso de suculentos cordeiros e de uma carroça repleta de tonéis de vinho.


“Ó venerável filho de Assur, Assurbanipal, herdeiro legítimo de Asaradão! Sejai bem-vindos à nossas humildes terras! Sentimo-nos envergonhados de não podermos vos receber com todas as honrarias que vos são merecidas! Entretanto, venho por meio desta mensagem vos comunicar que não pretendemos nos tornar um entrave em vossa árdua jornada à terra fértil do Nilo. Nós, humildes servos, vos enviamos como prova de nossa boa fé um presente para vossos famintos e exaustos guerreiros! Sintai-se à vontade em nossas casas e façam-se vossas nossas mulheres! Nossas riquezas são poucas, mas serão assírias, se este deserto não beber uma gota sequer de sangue! Suplicamos vossa piedade e a presentareamos com nossa generosidade! Nós nos curvaremos sem esforço a Assur e seu filho, se vossas espadas não derramarem uma gota do sangue do nosso povo!”

O rei assírio ouvia absorto em pensamentos a mensagem de Darassalam, governante de Uruk, e ao final da mensagem permaneceu em silêncio por alguns minutos. O tratamento que despendia aos inimigos revoltos de fato surtira efeito. O temor à poderosa Assíria já se espalhara por todo o Crescente Fértil, mas não imaginava que tivesse chegado tão longe. Enquanto isso, a multidão de guerreiros fitava-o tentando ocultar o contentamento ao ouvir as palavras do generoso rei. Assurbanipal então levantou-se e decretou a construção de um zigurate em Uruk, como prova de subserviência da cidade a Assur. Decidiu que aquela noite iam comemorar e honrar o presente do rei generoso Darassalam; entretanto, pela manhã, se dirigiriam à cidadela para reclamar o que lhes era de direito e gozar dos prazeres que lhes foram ofertados sem precisarem desembainhar uma espada sequer.

Na manhã seguinte, Assurbanipal e seus guerreiros se estabeleceram na cidade de Uruk sem maiores preocupações. Saquearam-na sem nenhuma resistência e, no solo escaldante, enterraram vivos todos os seus habitantes, cumprindo sua palavra em não derramar nenhuma gota de sangue nas terras de Uruk.

Daniel Lima

05 Março, 2008

Homo Perversio - espécie criada somente em cativeiro


"As conversas são melhor aproveitadas quando lubrificadas, assim como outras partes de nossa anatomia íntima..." - Marquês de Sade, contestando a recusa do abade Coulmert à sua oferta de uma taça de vinho.

Donatien Alphonse François de Sade, mais conhecido como Marquês de Sade (também conhecido como o Divino Marquês), foi um membro da nobreza francesa e escritor perseguido durante toda sua vida por defender idéias em conflito com a política e religião dominantes do final do século XVIII e início do século XIX.

Inicialmente encarcerado e condenado por "libertinagem excessiva", pode-se perceber a influência do cárcere em sua mente na violência de seus escritos. Em Os 120 Dias de Sodoma, sua principal obra, percebe-se a total ausência da Moral (como percebida comumente naquela época), em um mundo criado onde o sexo é a política dominante. A violência e promiscuidade física (presentes em sua obra, como coprofagia, mutilações, pedofilia, assassínio, etc.) é análoga à violência intelectual sofrida por ele em sua vida de cárcere. Violado, o Marquês sente a necessidade de violar o mundo. Seus maiores inimigos, a Igreja e a Nobreza, sofrem com a agressividade que cultivaram em sua mente.

Atrás de toda a violência e agressividade que caracterizam suas obras e que posteriormente originaram o termo sadismo, escondia-se um filósofo incompreendido e injustiçado não por suas opções sexuais, mas pela opção de expô-las culturalmente. Sendo um ativo defensor da monarquia, criticou deliberadamente a revolução, e chocou-se pela violência com que foi realizada. A crueldade da revolução de 1789 e os massacres de 1892 se refletiram em seus escritos, principalmente em sua obra Juliette. Já em 1793, vê-se obrigado a aderir ao movimento revolucionário, mostrando-se contrário à Monarquia e ocultando seus ideais políticos.

Considerado em seu tempo um corruptor de almas e destruidor da Moral, atualmente é reconhecido como um dos precursores da revolução sexual, e um filósofo defensor do Estado laico, desgraçando sua vida em uma época dominada pelo conservadorismo e hipocrisia.

Deus, Um Delírio


Biólogo evolucionista, pesquisador premiado, talentoso popularizador da ciência e introdutor do termo meme, uma espécie de equivalente cultural do conceito biológico de “gene”, é incontestável que Richard Dawkins seja um dos maiores intelectuais da atualidade. Seu mais novo livro, o best-seller Deus, Um Delírio, pode torná-lo de vez o profeta da razão de uma Nova Era do Iluminismo.

Nesta obra, ele ataca de maneira contundente o conceito de fé e, mais precisamente, a irracionalidade da fé. Defensor ferrenho do racionalismo, Dawkins menospreza a crença sem evidências científicas e afirma que as religiões são coisas sem sentido. Pior: elas são altamente prejudiciais à sociedade. Além de condenar o conceito de fé, Dawkins prova que a existência de Deus é tão provável quanto a existência de um Monstro de Espaguete Voador. E tudo isso sem abrir mão de sua veia científica de provas e probabilidades.

"Cientistas discordam entre si usando fatos e evidências para decidir quem está certo. Mas é impossível argumentar racionalmente se você simplesmente sabe que o seu livro sagrado contém a verdade absoluta dita por Deus, e a pessoa do outro lado pensa a mesma coisa sobre o próprio livro. Não surpreende que, ao longo da história, fanáticos religiosos tenham lançado mão de torturas,execuções, cruzadas, jihads e guerras santas." - Dawkins

Um fascinante livro que não deve deixar de ser examinado pelos amantes da razão e que pode trazer esperanças para aqueles que sonham com um mundo livre das religiões.

"A Ira de Lorelei"


"A tempestade começara. Gotas absurdamente pesadas e abundantes despencavam do céu negro, iluminado frequentemente por clarões retumbantes. Não havia vento, mas as copas das árvores tremiam, conforme iam suportando toda a balística aquosa que era despejada sobre elas. Buracos de quase meio metro de diâmetro se abriam no solo, ao receber algumas das gigantescas gotas que passavam pelo filtro de folhas do denso bosque. Galhos eram arrancados com fúria e se cravavam na terra como lanças atiradas ao mais odiado inimigo. Estrondos, seguidos de assobios e um baque alto, indicavam a morte de grandes árvores, assassinadas por impiedosos e poderosos relâmpagos. A ira de Lorelei se abatia sobre as Sete Terras, devastando florestas, alagando desertos, destruindo cidades e arrancando a vida de milhares de criaturas.

Krono Ilmarinen balançava energicamente as rédeas de Matik, tentando fazê-lo trotar cada vez mais rápido pela mata adentro, apesar do animal ter alcançado seu limite. Mesmo assim, o mago continuava seus movimentos quase mecânicos, num ritmo frenético que o fazia esquecer sua idade milenar e o profundo talho em seu abdômen, que se abria. Os galhos pendentes do denso e misteriosamente claro Bosque das Fadas produziam arranhões, ora fundos, ora superficiais, na face, nos ombros e braços. Suas vestes estavam imundas, molhadas e esfarrapadas, e a mistura de suor, sangue e chuva que pingava em seus olhos cansados quase o impedia de ver o caminho à sua frente. Ele não se preocupava mais em esconder embaixo do capuz seus longos cabelos e barba brancos que esvoaçavam encharcados de sua pele enrugada, quando Matik não conseguiu saltar com êxito um imenso tronco caído que surgira de repente à frente, vítima de uma descarga elétrica do temporal.

Ilmarinen rodopiou no ar enquanto o pobre animal desabava no chão, e aterrisou cinco metros adiante, freado por um sólido tronco, após uma série de dolorosas e desajeitadas cambalhotas no solo coberto de lama e folhas. Tentou se levantar, mas a dor de vários ossos quebrados invadiu seu corpo. Apenas conseguiu ver Matik, de olhos bem abertos e estirado no chão com o pescoço retorcido, antes de desmaiar ali mesmo sob um facho fraco de luz da Lua, que refletia na grande poça lamacenta em que se encontrava."

As Sete Terras - Daniel Lima

Cidade das Sombras


Andando por ruas escuras,
Isolado por construções sem vida,
Cercado por multidões em movimento,
Neste ritmo frenético,
Nesta dança bizarra,
Eu páro e grito silenciosamente.
Desprezo o mundo à minha volta,
Incendiado por luzes artificiais,
Acompanhado por uma longa canção,
Vejo apenas o que não consigo ver,
Ouço apenas sua formosa marcha fúnebre
Que envolve todos os mortos que me cercam.
Esta cidade deserta e fria,
De onde a esperança esgotada parte,
Deixando a decepção invadi-la,
Abriga seus mórbidos cidadãos
Num aconchegante cárcere sem muros,
Alimentando-os de medo e dor,
Torturando-os em suas vidas sem sentido.
Pensativo, continuo a caminhar
Cego, surdo e mudo, eu choro
Esperando que nada acontça.
Nestas pedras pontiagudas em que piso descaço,
Vejo a rigidez e a cor turva da minha alma,
E olhando para a sinistra placa logo adiante,
Percebo, mais horrorizado do que frustrado,
Que o que todos haviam feito eu também fiz:
Durante toda minha inútil e monótona vida
Eu havia andado em círculos
Por uma cidade de sombras...

Daniel Lima

Pequena dos Deuses



De longe, suspiro, seus movimentos a observar,
Perturbas meu sono, ao dar as costas e me deixar!
Não vais, volte ao meu colo!
Em gotas, acordo, caio e rolo...
Sorriso inocente, espontâneo em sua infância,
Cativa meu amor como a doce esperança!
Ó esperança vã, doce ao sonhar com você,
Tão perto vê-la passar, passos curtos a correr!
Olhos brilhantes, pérolas de Diana,
Iluminam a Lua, até Hades reclama!
Mãos pequenas e carinhosas, Marte as poupa,
Não merecem suas guerras, tristes e loucas!
Lábios desenhados, afáveis e ingênuos,
Ao som das palavras, a suave voz de Vênus!
No ritmo de Hermes, tiro certeiro!
Seu beijo, flecha do Cupido matreiro!
Ó mãe dos deuses, poderosa Hera!
Aplacai meu ciúme de criatura tão bela!
Poupai sua pele tão alva e macia,
Tal qual a luz de Apolo ao raiar do dia!
Seu corpo sinuoso, ó ilusão de Zeus!
Ninguém há de resistir aos encantos seus,
Cabelos dourados caem sobre sua fronte
Ocultando sua tímida face não sei onde...

Daniel Lima

"O último remanescente da Raça Antiga"



"Imponente, o último remanescente da Raça Antiga encontrava-se absorto em seus pensamentos. Suas escamas reluzentes ofuscavam o olhar atento dos presentes e sua beleza hipnotizava o coração mais carente de emoção. Algo o preocupava, e definitivamente não era a presença dos intrusos em sua caverna. Contemplava o distante céu de estalactites, com lágrimas a minar lentamente de seus tristes e vazios olhos. Magnificamente estendeu suas simétricas e bem articuladas asas e virou-se aos aventureiros, com a sutileza que seu porte colossal permitia.

- Não há salvação para nós. Retirem-se. - demandou a criatura, com desprezo e rancor escondido em sua voz grave.

Ao mesmo tempo, seus grandes olhos possuíam uma chama de esperança, chama que acendeu a coragem de Ilmarinen.

- Perdoem-nos a intromissão, ó Grande Ancião dos Dragões Dourados! O desespero que nos cega impede-nos de obedecer vossa ordem. Precisamos de vossa ajuda, Poderoso Aldebaran; todas as Sete Terras clamam por vossa ajuda!

A gigantesca criatura pareceu hesitar, mas finalmente cedeu diante da perseverança do mago.

- Passivamente irei ouvi-lo, poderoso mago, mas sem poder lhe dar garantias de ação. Terão de se mostrar dignos de minha ajuda, pois já há muito este mundo apodrece: não possuo mais motivação sequer para viver nele. Fale, ó Ilmarinen, convença-me a ajudá-lo a salvar as Sete Terras! – e tufos de fumaça são despejados de suas narinas, à medida que sua voz corta o ar como trovões retumbando na mais feroz tempestade.”

As Sete Terras - Daniel Lima

Primitivo



Na aurora do homem, aquela tribo de aborígenes vivia em harmonia com a natureza das selvas e savanas africanas. A fauna respeitava-os como iguais partes de um todo, apesar da divergência de visões entre presas e predadores. A flora oferecia-lhes beleza e simplicidade. A água fornecia-lhes a energia necessária à caça; a terra abrigava-os da noite e da solidão. O céu era belo, uma imensidão azul que os protegia da fúria dos deuses antigos e comunicava-se através de um suave toque no horizonte distante, trazendo segurança e paz. Seus olhos extasiados se perdiam na vastidão celeste, enquanto seus pés se firmavam no cobiçado solo, firme e rígido em toda sua extensão e tranquilidade. Conheciam a liberdade e a verdadeira união, na incontestável gratidão por tudo que a natureza proporcionava-lhes. Depositavam uma ingênua, e ainda frágil, fé nestes elementos visíveis que asseguravam sua árdua sobrevivência: admiravam e respeitavam a vida em toda sua plenitude.

O vento uivava seco e uma fina camada de poeira depositava-se nos poros. O calor seco do verão não poupava nem mesmo a pele escura e já acostumada ao clima árido. Escorpiões, lagartos e homens lutavam em igualdade, movidos pelo mesmo espírito combatente: a fome. Em uma época nada próspera, o sol ardente da savana provocava uma escassez de alimentos que a tribo não estava acostumada a enfrentar. A luta pela sobrevivência acirrava-se e perdiam-se na memória os tempos em que eram apenas caçadores. Os conflitos por território deram lugar aos conflitos com o mundo selvagem; a caça diária e a busca por fontes de água tornavam-se cada vez mais desgastantes e improdutivas. Várias tribos migravam para o sul; a maioria sem esperança, muitas sem sucesso na desafiadora empreitada. Abandonados pelos deuses e pela natureza, lançavam-se em direção ao perigo.

Mais uma vez, a esfera flamejante ergueu-se no horizonte. A perigosa rotina já havia começado, com os batedores voltando de sua ronda. Avistou-se um bando desavisado e cada vez mais incomum por aquela área. Eram poucos, mas o suficiente para alimentar a tribo por aquele dia. Algumas dezenas de antílopes bebia nas margens apenas úmidas do riacho que outrora matara incansavelmente a sede da tribo. Os arcos e as lanças foram preparados. Um negro alto e forte era o líder dos famintos caçadores.

Furtivamente aproximaram-se. Os animais estavam abatidos pela seca, mas à qualquer sinal de perigo poderiam facilmente escapar de predadores com portes físicos tão inaptos a uma perseguição. Porém, a capacidade de pensar, as primitivas armas que podiam fabricar e o fator surpresa os tornavam os mais eficazes caçadores. Cercaram o bando, ocultos por pequenos arbustos que resistiam bravamente à esfera flamejante que secava tudo, e esperaram pelo início do ataque.

O líder arremessou a primeira lança, que descreveu um movimento em arco na atmosfera seca e despencou sobre a primeira presa. O animal hesitou por uma ínfima fração de tempo, tempo suficiente para definir o seu destino. Em seguida, uma chuva de flechas e lanças derramou-se sobre o atordoado bando, que tentava se dispersar, enquanto vários caíam sob o ímpeto da fome humana.

O massacre foi rápido e a contagem revelou que haviam conseguido o suficiente para sobreviver durante pelo menos mais um dia de estiagem. Entregaram-se a uma euforia íntima e silenciosa e, enquanto coletavam a caça, não perceberam que a linha tênue que diferenciava os predadores das presas na disputada cadeia alimentar estava prestes a ser ignorada. Ao longe, um grupo de guepardos os observava e se aproximava lentamente, quase rastejando, escondidos pela pobre, mas traiçoeira, vegetação à margem do rio seco.

Talvez por instinto, talvez por seus sentidos ligeiramente aguçados, o líder dos tribais percebeu que algo estava errado. Percorreu com os olhos atentos a área ao redor de seu primitivo exército e reconheceu de imediato a armadilha em que caíra toda sua tribo. Cegos de fome, haviam despertado a fúria dos guepardos ali presentes ao roubarem-lhes as presas. Agora eles teriam de substituí-las. Entretanto, tinha a absoluta certeza de que os animais não aceitariam a devolução daqueles cadáveres que a tribo carregava. Não sem o prazer de tê-las caçado.

Infelizmente era tarde demais e o líder sabia disso. A natureza era generosa, mas também sabia ser cruel. Não se mostrara digno de continuar servindo-a. Ele cometera um erro, um erro que devia ser punido com a morte. Mas, e seus homens? Será que eles mereciam também tal destino? E o restante da tribo, morreria de fome? Deveriam todos sofrer pelo seu erro?

Decidiu que não. Por um momento, fechou os olhos. Largou no solo o animal morto que tentava erguer e suspirou. Estava pronto para enfrentar o seu destino e o faria. Mas sabia que não iria apenas lutar contra animais famintos, e sim contra uma natureza ávida por culpados e implacável. Na sua língua primitiva, emitiu um alerta sonoro para todos os outros. Os animais saíram de seus esconderijos, descobertos e satisfeitos pela vantagem que conseguiram, sem se intimidar com o fato de serem menos numerosos.

Os aborígenes finalmente perceberam que haviam sido transformados em presas. Os felinos avançaram sobre eles, utilizando-se da vantagem com que, ironicamente, a mesma estratégia furtiva que havia desgraçado os antílopes presenteara-lhes. Sabendo que seriam todos mortos se tentassem correr desesperadamente, o líder agarrou a lança para lutar e tentou coordenar a fuga, sem êxito. Presenciou a queda de vários, amigos e membros da tribo, para a fúria daquelas selvagens e mortais mandíbulas.

Num primeiro instante, os guepardos mais adiantados passaram velozmente por ele, perseguindo aqueles que o medo já engolia. O medo, a raiva, a fome, tudo abriu espaço para o instinto e o corajoso líder parou ali, envolto por uma nuvem de poeira que se levantava do solo árido, armado de sua vontade de existir. Já não se importava mais com seus aliados; seus objetivos mudaram inconscientemente. Esquecera-se que errara; não sabia mais se a natureza era generosa ou cruel; esquecera-se da própria natureza. A única coisa que importava era manter-se vivo.

O primeiro dos animais atacou-o pela frente. As garras rasgaram o antebraço do homem, mas a lança fizera maior estrago no peito do animal, que caiu no solo, sem conseguir se levantar. Antes de poder recuperar sua arma, um segundo guepardo avançou e cravou suas garras em seu abdome. O tempo parou.

Tudo que sentira no calor desta última batalha voltou em uma mórbida retrospectiva. Lágrimas rolaram de seus olhos quando percebeu que havia desistido e esquecido dos outros. Esquecera-se de seu objetivo. Esquecera-se da primitiva e simples reflexão que levara-o à busca de um objetivo. Esquecera-se do seu erro. Esquecera-se da natureza e esquecera-se de sua tribo. Esquecera-se de seus antigos inimigos; e dos atuais também. Esquecera-se de quem era, e esquecera-se do que estava fazendo. O tempo voltou a caminhar.

Em desespero, sua mão tateou a parte detrás de sua tanga e achou a machete que procurava. Ao ser derrubado pelo guepardo, acertou o topo da cabeça do animal com a machete, afundando seu crânio. Já ao nível do solo, teve a certeza de que a luta estava perdida. Mas não se importava mais. Esquecera-se da luta. Esquecera-se pelo que lutava. Esquecera-se por que matava.

Dois dos animais pararam à sua frente claramente intimidados pelo homem. O homem gritou: de raiva, de dor, de medo; por vingança. Vingança: um sentimento inédito que o fez sentir-se bem, apesar de tudo. Esboçou um sorriso e tentou se levantar. Queria sangue, queria matar, queria se vingar... De joelhos, gritou novamente, com a machete erguida, e golpeou mais uma vez a cabeça do animal já caído. Os dois animais que o observavam defensivamente recuaram. Exausto, e com algumas vísceras à mostra, o forte guerreiro desabou no solo árido. Um outro guepardo já se aproximava, com os olhos vivos fixos em sua garganta.

Não soube por que estava morrendo pela primeira vez; e se questionou pela primeira vez se haveria algum sentido para a morte ou para a vida. Entretanto descobriu apenas que tudo que havia sentido, feito, lembrado ou esquecido nos seus últimos instantes seria o suficiente para tirar todo o sentido que a vida poderia ter. Chorou por ter percebido aquilo que tinha sido despertado nele. Chorou, não por ele, nem por sua tribo, mas sim pelas tribos que futuramente povoariam aquele ambiente inóspito. Chorou pelas tribos que acreditariam na natureza ou em deuses daquele ambiente inóspito. Chorou pelas tribos que agiriam como ele por causa da natureza e destes deuses ingratos. E chorou pelas tribos que agiriam assim por motivo nenhum.

Lua de Mel na Terra dos Faraós






Uma viagem inesquecível. Isso era o que queríamos para nossa lua de mel. O destino? Não conseguíamos pensar em destino que fosse mais fascinante para nós que o Egito. As pirâmides, a esfinge, Cairo... Comprei um guia de viagens sobre o Egito e comecei a conhecer um pouco mais sobre o destino recém escolhido.

A primeira coisa que descobri foi que o Egito era muito mais do que as Pirâmides. Havia lugares fabulosos a serem visitados e montei um roteiro com a ajuda de uma agência de viagens. De 15 dias, estendemos nossa estadia para 22 dias, tamanho era nossa vontade de aproveitar o máximo a viagem. Viajamos então com um roteiro dia a dia completo, passando por onze cidades, do Mar Mediterrâneo ao Mar Vermelho, do norte ao sul do país.

Cairo, a capital e conhecida como “Pérola do Oriente”, é um paisagem urbana repleta de luzes, de trânsito caótico (onde pessoas e veículos transitam quase sem distinção entre vias e calçadas) e miséria em contraste com suntuosos e imponentes palácios. Na periferia, à beira do deserto, erguem-se as Pirâmides, mausoléus imensos e perfeccionistas de aproximadamente 4000 anos (cujas técnicas arquitetônicas intrigam os maiores estudiosos do assunto), guardadas pela Esfinge e seu olhar fixo no horizonte. As múmias presentes no Museu Nacional do Cairo são as provas consistentes da tecnologia egípcia em Medicina.

O nosso passeio continuou passando pelas principais cidades, entre elas, a quase européia Alexandria, que, à beira do Mar Mediterrâneo, guarda um glamour de cidade antiga, com seus sítios arqueológicos romanos, e uma aura ocidental que paira sobre seu povo, com muçulmanos trajando calças jeans e tênis de marca, e sobre sua nova Biblioteca, uma das mais modernas do mundo. Fomos de trem à rústica Luxor, onde situam-se o Vale dos Reis e o Templo de Hatshepsut (a mais notória das rainhas egípcias), e à extrema Aswan, à beira do Lago Nasser e quase ao Sudão, com o Templo de Abu Simbel (que não deve em nada à grandiosidade das Pirâmides de Giza). Por fim, descansamos à margem do Mar Vermelho, em Hurghada, onde águas límpidas contrastam com a seca do deserto.



O choque cultural foi violento. Mesmo preparados para grandes divergências sócio-culturais, é espantosa a posição de destaque da religião na moral da sociedade árabe. O Corão rege todos os seus movimentos, que ficou claro quando um guia nos disse: “É mais tolerante que se cometa um homicídio a cometer um roubo.”, citando passagens do Corão que proíbem e condenam a prática do roubo e podem justificar um homicídio. Nos horários estabelecidos pelo Islamismo (cinco horários por dia), multidões param seus afazeres e vão às mesquitas e ruas para orar. Percebe-se também que a religião funciona como um atenuador e um vértice de conformismo para justificar a miséria da maioria e tamanha desigualdade social bem aparente.

O clima é rigoroso demais chegando a temperaturas de 50 graus em um dia de verão e 15 graus no mesmo dia à noite. Chegamos a presenciar uma tempestade de areia que cobriu todo o hotel em Hurghada, fazendo-nos nos refugiar no quarto durante uma tarde inteira. A grande maravilha natural é o rio Nilo, extenso como um mar, e meio de subsistência de toda a vida egípcia.

Maravilhados durante todos os momentos da viagem, curtimos também um curto cruzeiro sobre o Nilo, safári pelo deserto, shows de danças do ventre e folclóricas, etc. Em suma, fizemos desta viagem um momento inesquecível em nossas vidas.



Re-abertura!


Com a reestruturação que minha vida sofreu de 2005 para cá, resolvi reestruturar este blog, até porque ele estava abandonado há muito tempo (in a galaxy far, far away...). Inicialmente, recolocarei os meus textos antigos, já postados neste mesmo antigo e novo blog, e pode-se dizer que serão lidos aqui posts de diversos tipos:

1) As Sete Terras: colocarei textos e estórias deste meu mundo ficcional.

2) Crítica: crítica sobre um filme, peça, livro, show, etc. recém ou há muito tempo assistido/lido.

3) Escrever: Textos, poesias e contos aleatórios de minha autoria; rotina do dia-a-dia; atualidades; e etc...

4) Momentos de Reflexão: textos sobre nada e sobre tudo, reflexões úteis e inúteis e pensamentos esquisitos e bizarros, que comporão o esgoto cerebral que um ser humano pode ser capaz de defecar.

5) Personalidades: frases e/ou resumos de biografias de grandes personalidades pouco destacadas no mundo da maioria;

Em princípio será isto... hoje, então publicarei algumas coisas (incluindo algo que já foi publicado no antigo blog, mas que seja atemporal e que possa ser reaproveitado organicamente (ou não!)).